No contexto do projeto de Redes Sociais na Educação, publico esta compilação que elaborei de diversas recomendações para usabilidade e sociabilidade de comunidades virtuais.
Introdução ou por que Sociabilidade e Usabilidade?
Desenvolver comunidades virtuais bem-sucedidas não é um empreendimento trivial. Comunidades bem-sucedidas devem atender ao menos dois requisitos:
- Satisfazer seus membros: os membros de uma comunidade são os “clientes” primários da comunidade. Eles trazem para a sua participação na comunidade expectativas e metas que devem ser satisfeitas (e que podem evoluir com o passar do tempo);
- Contribuir para o bem-estar da sociedade: apesar de muitas vezes nos esquecermos disto, nossos empreendimentos em sociedade têm como objetivo contribuir para o bem-estar da sociedade como um todo. Quer sejam comunidades virtuais de profissionais (comunidades de prática), de interesses comuns, de entretenimento, de colecionadores – todas as comunidades tem por objetivo final contribuir de alguma maneira para o bem-estar da sociedade como um todo.
Mesmo com todo empenho em construir comunidades bem-sucedidas, alguns cenários típicos que encontramos são:
- Comunidades que falham ou desaparecem: comunidades são iniciadas por indivíduos ou grupos, como todos os recursos que parecem ser necessários. Entretanto, algum tempo depois vai se percebendo que não está funcionando e é abandonada. Em alguns casos o suporte tecnológico é retirado e as comunidades simplesmente desaparecem;
- Sobrevivência com população diferente: comunidades são iniciadas por um grupo e assim funcionam por algum tempo. Mas a comunidade começa a perder seu público inicial por uma série de fatores e suas atividades sao assumidas por uma população diferente da inicial;
- Chats vazios, mensagens não respondidas, comentários superficiais, muita propaganda, spam: muitos de nós já tivemos este sentimento de entrarmos em uma sala de bate-papo e sermos os únicos presentes. Comunidades que não estão funcionando da forma esperada, podem apresentar várias características, como mensagens em fóruns que nunca são respondidas ou quando são, as respostas não trazem nenhuma informação relevante ou reflexão. Adicione-se a isso as propagandas no próprio ambiente e mensagens de spam nos ambientes de colaboração e temos um cenário bastante desanimador;
- Têm impacto na vida das pessoas: este é o cenário de sucesso que nós buscamos. Impacto nos aspectos profissionais, em nosso entretenimento, educação entre outros, são o objetivo das comunidades virtuais. Quando isto acontece, temos uma comunidade virtual bem sucedida.
A sociabilidade e usabilidade são características desejáveis das comunidades virtuais e que contribuem para o cenário de sucesso.
Comunidades com boa sociabilidade têm políticas sociais que suportam os propósitos da comunidade, que são compreensíveis, socialmente aceitáveis e praticáveis. Usabilidade diz respeito a fazer interfaces consistentes, controláveis e previsíveis, o que as faz fáceis de usar e trazem satisfação ao usuário (Lazar e Preece, 2002).
As seções seguintes vão determinar como estas qualidades contribuem na obtenção de comunidades bem-sucedidas. Adicionalmente recomendações práticas para sociabilidade e usabilidade serão apresentadas, alem de orientações de princípios de projeto de comunidades virtuais.
Figura 1. Sociabilidade e Usabilidade nas Comunidades Virtuais
Sociabilidade nas Comunidades: Entidades x Processo
Apesar de muitas vezes as comunidades serem tratadas como entidades, nos beneficiamos de se as tratarmos de uma perspectiva de processo. Em um processo de desenvolvimento de uma comunidade o desenvolvedor tem um papel que é similar ao de prefeito de uma cidade: ele define a infra-estrutura, o plano diretor, e os habitantes se organizam e atuam nesta infra-estrutura. Ele trabalha com os membros para planejar e guiar o desenvolvimento da comunidade. Assim, inicialmente são avaliadas as necessidades para criação da comunidade, e durante o desenvolvimento da comunidade, estas necessidade são reavaliadas e ações necessárias tomadas pelo desenvolvedor-prefeito.
É o desenvolvedor quem vai estabelecer algumas políticas básicas para participação na comunidade, como por exemplo:
- Como se comportar: é o desenvolvedor quem vai comunicar para os que querem ser participantes, qual comportamento é aceitável na comunidade. Estas orientações devem estar em acordo com as necessidades da comunidade. Por exemplo, uma comunidade de adolescentes interessados em grupos de música pop pode ter regras de comportamento em relação à linguagem utilizada diferentes daquelas de uma comunidade de arquitetos que querem discutir suas práticas de trabalho. Algumas comunidades aceitam melhor confrontos diretos de idéias, como uma comunidade acadêmica, mas uma comunidade de hobistas pode ser mais sensível a confrontos;
- O que esperar da comunidade: deixar claro o objetivo e o que acontece na comunidade aumenta as chances de atrair membros que compartilham os mesmos objetivos, orienta para quais atividades são válidas em relação aos objetivos e aumenta as chances de bons relacionamentos entre os membros.
Estas políticas definidas para uma comunidade são a base de seu crescimento social. Com estas políticas sendo colocadas em prática é possível desenvolver e manter a comunidade ativa sem grandes sobressaltos. Isto é especialmente importante no início da comunidade, que é quando muitas comunidades falham sem ter muitas vezes uma segunda chance devido ao desgaste.
Usabilidade: Comunidades fáceis de aprender e de usar
A boa usabilidade suporta a atividade dos usuários com um artefato, de forma eficaz, eficiente e com satisfação. Assim, é preciso que o projeto do uso do artefato busque atender as metas do usuário (eficaz), não ser muito difícil de aprender e usar (eficiente) e motivar nos usuários uma resposta positiva após o uso (satisfação). A maneira de se obter esta qualidade é aplicar um método de desenvolvimento que seja centrado nos usuários e no uso pretendido, que utilize conhecimento prévio (como as recomendações de usabilidade que veremos a seguir) e que passe por diversas versões do artefatos, seguidas de testes e correções.
No contexto das comunidades virtuais podemos destacar alguns impactos positivos da boa usabilidade:
- Suportar criatividade: usuários que dedicam menos esforço aprendendo e usando a interface da comunidade, podem dedicar mais energia nas suas atividades na comunidade e ser mais criativos. Além disso, a atitude positiva, de satisfação com o uso, deixa os usuários em um estado emocional propício para as atividades criativas (Norman, 2004)
- Aumentar produtividade: como os usuários entendem mais rapidamente o software e este está bem adaptado as suas tarefas, eles tem maior produtividade.
- Fazer as pessoas se sentirem bem: quando os usuários entendem rapidamente uma ferramenta, são produtivos e conseguem se dedicar às suas metas finais, eles se sentem bem.
Usabilidade pobre, por sua vez, pode trazer conseqüências indesejáveis para os membros da comunidade:
- Levar à frustração: usuários que não aprendem a usar o software, que percebem que as interfaces não estão bem projetadas para as suas tarefas, que cometem muitos erros, tendem a estar frustrados;
- Desperdiça tempo, energia e dinheiro.
Recomendações para Sociabilidade
No quadro abaixo apresentamos uma compilação de recomendações para sociabilidade de comunidades virtuais:
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Área
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Recomendação
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Propósito
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Definir claramente a comunidade
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Dar um nome significativo
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Escrever um documento “Propósito” - página web com informação adicional ao Propósito e que não o contradiga
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Pessoas: Acesso e papéis
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Descrever claramente requisitos técnicos de acesso
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Decidir se especialistas e moderadores serão necessários
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Pessoas: Comunicação Efetiva
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Suportar presença pessoal (mesmo a anônima)
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Estabelecer experiência de bases compartilhadas (ver propriedade intelectual)
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Encorajar empatia, confiança e cooperação
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Desenvolver políticas para encorajar as recomendações anteriores
- Desencorajar spam, flaming, agressão e outros
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Políticas: Inscrição
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Considere ter uma política de inscrições
- Assuntos sensíveis
- Expertise necessária
- Se se quer ou não gente de fora
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Determine se visitantes serão recebidos
- Sempre
- Por tempo determinado
- Para alguns conteúdos ou ações
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Políticas: Governança
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Quem vai governar: donos ou membros?
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Decida o nível de livre-expressão aceito
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Estabeleça netiqueta
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Defina regras para votações e outros processos que precisem de participação pública
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Faça com que as regras sejam seguidas
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Políticas: Confiança e Segurança
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Proteja informação confidencial
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Se existir transação comercial, política de segurança de cartões de crédito
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Disclaimer de que não se garante a aplicação das informações geradas na comunidade
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Declaração de direitos autorais, proteger propriedade intelectual
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Estabelecer uma política ou procedimento para encorajar e suportar a confiança (ex.: Mercado Livre)
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Quadro 1. Recomendações para Sociabilidade de Comunidades Virtuais
Recomendações para Usabilidade de Comunidades Virtuais
No quadro abaixo apresentamos uma compilação de recomendações para usabilidade de comunidades virtuais (apesar de várias serem aplicáveis também a outros tipos de interfaces):
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Área
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Recomendação
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Usabilidade Web: Navegação
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Páginas em html simples, de preferência sem frames (“quadros”)
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Evite páginas órfãs
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Evite páginas muito longas, muito espaço em branco
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Forneça suporte à navegação
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Evite usar menus com muitos níveis hierárquicos
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Estabeleça um look&feel consistente em todas as páginas
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Usabilidade Web: Acesso
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Evite URLs complexas
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Use cores padrão para os links
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Conceba as páginas de modo a evitar tempos longos de download
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Usabilidade Web: Projeto da Informação
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Remova informação desatualizada
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Apresente texto de forma efetiva para a web
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Evite o uso excessivo de cor
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Limite o uso gratuito de gráficos e animações
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Procure ser consistente
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Software de Comunicação: Download e Inscrição
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Se existe software para “baixar” (download):
- Forneça informações claras sobre os requisitos técnicos para rodar o software
- Inclua instruções claras para download e instalação
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Inscrição e login:
- Inscrição simples e em poucos passos
- Descrever processo de inscrição passo-a-passo
- Mecanismo de recuperação de senha
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Software de Comunicação: Comunicação
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Desenvolva modelos conceituais claros para usuários com diferentes níveis de experiência
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Forneça mecanismos de edição (ortografia, fontes, símbolos)
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Possibilite a comunicação de emoções e intenções (ex.: dicionário de emoticons)
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Suporte diferentes níveis de experiência (ex.: edição simples e edição avançada separadas)
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Proteja direitos dos usuários
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Faça com que a comunicação seja fácil de acompanhar
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Deixe clara a relação entre os avatares e a conversa
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Software de Comunicação: Procurando pessoas e informação
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Possibilite buscas por palavras-chave
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Faça distinção entre mensagens lidas e não-lidas
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Identifique relacionamentos entre mensagens
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Quadro 2. Recomendações para Usabilidade de Comunidades Virtuais
Princípios de Projeto para Comunidades Virtuais (Wenger et al., 2006)
Projetar para a facilidade de aprendizagem e uso
Raramente a participação em uma comunidade virtual é a principal prioridade na vida de alguém. Esta é mais uma razão para darmos ênfase à simplicidade. Como as pessoas não dispõem de muito tempo para investir na participação da comunidade, se elas encontrarem uma interface difícil de aprender e de usar poderão desistir facilmente. Estudos demonstram também que quando a dificuldade de uso da tecnologia é grande, a participação diminui – e participação é o principal fator de sucesso de uma comunidade. Assim, adotar ferramentas com as quais os usuários estão familiarizados tem a vantagem da transferência de conhecimento de uso que eles podem fazer, uma vez que já as usaram em outros contextos. A tolerância à novidade aumenta com a percepção de ganhos adicionais e deve ser trabalhada gradualmente.
Projetar para evolução
Cada parte do ciclo-de-vida de uma comunidade tem necessidade distintas. Adicionalmente, uma comunidade virtual funciona de maneira bastante diferente de uma equipe de projeto. Enquanto uma equipe de projeto tem uma atividade estruturada para executar, com etapas e metas bem definidas, uma comunidade é uma jornada de descobertas. Nesta jornada as comunidades se reinventam, sendo impossível saber a priori o que vai acontecer, e precisam de recursos novos. Projetar “a mais” pode atrapalhar o estágio atual da comunidade. Uma maneira de monitorar novas necessidades é prestar atenção nas lideranças que sintetizam o ponto de vista dos participantes.
Projetar para “estar à mão”
Membros de uma comunidade geralmente não trabalham juntos, em um mesmo espaço físico. Mas compartilham um assunto de interesse comum que é discutido na comunidade e que muitas vezes tem relação direta com seu trabalho. Para que soluções discutidas na comunidade tenham suas chances de serem aplicadas no trabalho de cada um dos membros, eles devem sentir que elas estão “a um clique de distância” e não “muito longe”. A integração ao email das discussões da comunidade é uma possível solução. O desafio que se coloca às tecnologias de suporte a comunidades é estar disponível em qualquer lugar, em qualquer dispositivo.
Projetar do ponto de vista dos usuários
A razão de ser das comunidades virtuais não é, via de regra, o fascínio com a tecnologia de comunidades em si. E vamos projetar comunidades, mas não podemos esquecer do fato de que as experiências são individuais. Cada indivíduo tem diferentes necessidades, objetivos de aprendizagem e proficiência na tecnologia, e devemos mapear e projetar para esta variabilidade. Um fator importante em comunidades são as diferentes intensidades de participação de seus membros, e que cada uma é legitima e deve ser apropriadamente suportada.
Comentários
Este breve artigo procurou introduzir a importância das qualidades usabilidade e sociabilidade no contexto das comunidades virtuais. Cada grupo de pessoas que decide colaborar “estabelece um conjunto de padrões de comportamento que determinam as metas do grupo (assunto e prioridades), a maneira como os membros se relacionam entre eles (comportamentos aceitáveis, processos de fiscalização, hierarquias funcionais e papéis), os valores que eles respeitam e mesmo algumas vezes a adoção de uma certa escola de pensamento em sua prática” (Castro, 2006) Desta forma, as recomendações para sociabilidade e usabilidade são determinantes para o sucesso de uma comunidade virtual.
O trabalho de definição de qualidades desejáveis de um artefato e de técnicas e conhecimentos (tais como as recomendações apresentadas neste artigo) são um passo para trazer ciência para a concepção destes artefatos. Este tipo de contribuição permite diferenciar de processo empírico e puramente darwinista, para um processo baseado em melhores práticas, e na prática reflexiva do design.
Referências
Castro, Cornejo. Revisiting Communities of Practice: From fishermen to the global village. http://www.knowledgeboard.com/download/3324/CoPsrevisited.pdf
Lazar, J. e Preece, J. (2002) Online Communities: Usability, Sociability and Users’ Requirements. In H. van Oostendorp, Cognition in the Digital World. Lawrence Erlbaum Associates Inc. Publishers. Mahwah: NJ. 127-151
Norman, D. Emotional Design: Why we love (or hate) everyday things. Basic Books, 2004.
Preece, J. Online Communities: Designing Usability, Supporting Sociability. John Wiley & Sons, 2001.